
JOHN WESLEY
Em
28 de junho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, o fundador
da Igreja Metodista Wesleyana: John Wesley, cuja esposa chamava-se Susanna,
era o 12º dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um pároco
de Epworth.
Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incêndio à
noite, provocado por um grupo de malfeitores. O fogo se alastrava no teto
de palha da paróquia onde eles moravam, começando a estilhaçar
brasas sobre as camas. Subitamente, Hetty Wesley, um dos irmãos
menores, acordou assustado e correu até o quarto de sua mãe.
E logo todo mundo estava em pé, tentando conter o domínio
das chamas, enquanto a pequena criada, agarrando o bebê Charles
nos braços, chamava as crianças para um lugar mais seguro.
A essa altura, Twice Susanna Wesley forçava a porta contra as costas,
numa tentativa desenfreada de proteger-se.
A família finalmente conseguiu sair de casa e, apavorada, reuniu-se
no jardim, pois descobrira que o pequeno Jeckie havia ficado lá
dentro dormindo. Voltaram correndo, mas era tarde: a escada estava em
cinzas e tornava impossível resgatá-lo. O rapaz chegou até
aparecer na janela, porém não podiam segurá-lo, visto
que a casa ficava no segundo piso. Todavia, um pequeno homem pulou sobre
o largos ombros do pai de Wesley e, num esforço desmedido, conseguiu
salvar a criança.
Um Estudante de Cristo
Consequentemente, uma profunda ternura passou a residir no coração
de Jackie que, mesmo depois de homem, considerava que havia escapado aquela
noite porque Deus tinha um propósito muito especial em sua vida.
Várias vezes ele chegou a comemorar este dia em seu diário
secreto que escreveu: "Arrancado das Chamas".
Seis anos depois, em Charter House School, Jeckie matriculou-se na Universidade
em Oxford, tornando-se um estudante da igreja de Cristo. Quatro anos mais
tarde graduou-se em bacharel de artes e em 1726 foi eleito acadêmico
do Colégio Lincoln.
Enquanto John Wesley era ordenado ao ministério e ajudava o pai em
casa, Charles, o irmão mais novo, organizava em Oxford um pequeno
grupo de estudantes para orações regulares, estudos bíblicos
e outros serviços cristãos. O Clube Santo, como era chamado,
incluía vários integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros
de um avivamento, ocorrido no século XVIII, destacando-se, entre
outros, George Whitfield.
Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colônia em Georgia,
como capelão, em 1736. Charles nesta época, era secretário
do governador e o piedoso trabalho em Georgia, embora com muitas lutas,
teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de visitar
a sede do movimento, escreveu: "O eficiente trabalho de John Wesley
na América é impressionante. Seu nome é muito precioso
entre o povo, pois tem edificado as fundações que, espero,
nem homens nem demônios a abalem".
Aprendendo a Confiar
Em contato com German Moravian Christians na América, Wesley questionava
sobre as verdades cristãs. Sabia muito bem que o êxito de seus
trabalhos estava nas mãos de Deus e, por isso, começou a buscá-lo
em oração. Não demorou muito tempo e, em 24 de maio
de 1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a Inglaterra,
resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia: "A tarde, visitando
a sociedade em Aldersgate Street, li o ‘Prefácio da epístola
aos Romanos’ na versão de Lutero, cujas palavras tocaram-me
profundamente. Senti meu coração bater fortemente. E, desde
aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como meu Salvador. Estou seguro
de que os meus pecados estão perdoados. Me salvei da lei do pecado
e da morte". Esta experiência mudou o rumo da vida de Wesley
que, a partir daquele momento, passou a ser uma nova criatura, sendo consagrado
o maior apóstolo da Inglaterra.
John Wesley começou o trabalho de pregação ao ar livre
quando viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na época
era conhecido como o mais eloquente pregador da Inglaterra. Wesley, a princípio,
rejeitou a idéia, mas uma vez convencido da vontade de Deus, acabou
se tornando mais famoso que Whitfield. Viajava 11 quilômetros por
ano. Experimentou os mais cruéis sofrimentos e oposições
em toda sua vida. Estava frequentemente em perigo.
Embora fosse sábio e proeminente, o itinerante evangelista era um
homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas mensagens
muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu uma sede para
o movimento protestante, que crescia vertigiosamente. Comprou uma casa de
fundição em ruínas, na cidade de Moofield, e transformou-a
num templo. O prédio passou por uma rigorosa reforma que custou,
na época, 800 libras (quantia superior ao da compra que foi de 115
libras), mas valeu a pena. Depois de pronta, a capela passou a comportar
cerca de mil e quinhentas pessoas.
Era o primeiro edifício metodista em Londres, onde a verdadeira doutrina
de Cristo era proclamada. Pessoas sedentas por ouvir a gloriosa mensagem
do evangelho cruzavam todos os domingos a escuridão das estradas
de Moorfield com lanternas, para ouvir os ensinamentos de Wesley. O prédio
dispunha de sala de reuniões, com capacidade para 300 pessoas, sala
de aula e biblioteca.
Mais tarde, John Wesley instalou a sua própria casa na parte superior
da capela, onde passou a morar com a sua família. Em 1746, abriu
um centro de atendimento médico e escola gratuitos, com capacidade
para 60 estudantes, contratou farmacêutico, cirurgião e dois
professores e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar viúvas
e crianças.
Muitos foram os patrimônios conseguidos pela igreja durante os 40
anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley. Entretanto,
devido a expiração do contrato imobiliário, a sede
teve de mudar-se para um outro lugar.
Próximo dali, em City House, encontrava-se um vasto campo onde jaziam
os túmulos de Bunhill Field e o de sua esposa Sussana Wesley. Um
lugar de pântanos, recentemente aterrado, onde foi construída
a catedral de Saint Paul. Havia também no local algumas pedras de
moinho, utilizadas para moer milho trazido do Thames, que era transformado
em trigo.
John Wesley alugou quatro mil metros quadrados destas terras em 1777 para
construir a nova capela. E, finalmente, em 21 de abril do mesmo ano, sob
forte chuva, lançou a pedra fundamental, com a seguinte gravação:
"Provavelmente, esta pedra não será vista por algum olho
humano, mas permanecerá até que a terra e o trabalho sejam
consumados". Naquele dia, Wesley improvisou um púlpito sobre
a pedra e pregou em Nm 23.23.
A Recompensa
Em 1 de novembro de 1778, dezoito meses depois, no Dia de Todos os Santos,
a capela estava próxima de ser aberta para a adoração
pública. Apesar dos ventos das dificuldades (além de ter contraído
muitas dívidas, os trabalhadores tiveram as ferramentas roubadas),
Deus recompensou grandemente o esforço de Wesley, levantando voluntários
dentre os membros. O rei George III, por exemplo, doou mastros de navios
de guerra para o suporte das galerias.
Conta a história que um certo dia Wesley ficou de um lado do templo
e Taylor, um dos cooperadores do outro, com os chapéus nas mãos,
e conseguiram arrecadar 7 libras; o suficiente para a conclusão das
obras. Toda a galeria foi coberta com gesso e os bancos de madeira de carvalho,
doadas pelas igrejas da América, Canadá, Sul da África,
Austrália, Oeste da Índia e Irlanda. As janelas vitrificadas,
as impressões no teto foram trabalhados no estilo Adams (réplica
antiga), e a casa de Wesley construída num pátio em frente
à capela. Estas raridades, depois de reformadas em 1880, no centenário
da morte de Wesley, memorizam as epopéias deste bravo soldado de
Cristo.
Sua Morte
Mesmo depois de velho quase cego e paralítico, John Wesley continuava
pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida estava
chegando ao fim sentou-se numa cama, bebeu um chá e cantou:
"Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bênção,
quão triunfante será o meu fim!
Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho fôlego;
E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas forças;
em meus dias o glorificarei enquanto tiver fôlego até o fim
de minha existência".
Wesley foi enterrado no Jardim-túmulo, em frente à capela
em City Road, sob as luzes das lanternas, na manhã de 2 de março
de 1791. Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: "Farwell"
(adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lápide
até hoje indica o significado histórico: "À memória
do venerável John Wesley: o último companheiro do Lincoln
College, Oxford..."
Fonte: Revista Obreiro Aprovado (Fev/Mar 1996)